quarta-feira, março 28, 2007

A Bola

Aqui fica o artigo que a Daniela Teixeira escreveu para "A Bola".
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terça-feira, março 27, 2007

A Bola n' A Bola

Se não tiverem nada para fazer, nem nada para ler, passem no quiosque e comprem A Bola! :)

domingo, março 25, 2007

Sudamérica - Parte 4

Depois de Tayrona regressamos à Venezuela, entramos por Maracaibo, a zona onde se concentra a grande maioria do petróleo da Venezuela, e seguimos em direcção a Mérida, zona andina. Escalamos 3 dias na Azulita, uma zona de Calcário com vias razoáveis mas muito sujas. O local é muito húmido e a vegetação abunda. Ficamos numa casa no meio da selva, de um escalador de 50 anos fã número um do Bob Marley (tinha toda a discografia em vinil) e que estava sempre fumado!
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Merida é uma das zonas mais bonitas da Venezuela, típica paisagem de montanha com uma vegetação endémica bastante diferente do resto do país. Lá situa-se o mais longo e alto teleférico do mundo que sobe ate aos quase 5000 metros do pico Bolivar, a montanha mais alta do país. Tudo na Venezuela se chama Bolivar, o herói responsável pela independência, o Chavez ate mudou o nome do país de Venezuela para Republica Bolivariana da Venezuela!!! (o homem além de ditador é louco).
Nestes três dias de escalada o meu cotovelo queixou-se muito e por isso o melhor seria parar de escalar por uns tempos. Embora sem termos planeado, foi isso que acabou por acontecer. Passamos vários dias há espera que o carro saísse da oficina, escalámos muito pouco em Barquisimeto e fomos para Mochima conhecer as praias.
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Mochima é uma zona paradisíaca, mas nós fomos no fim de semana de Carnaval e por isso estava completamente a abarrotar de pessoas, muito pior que o metro em hora de ponta e em dia de greve!!! Só se chega as praias de barco mas mesmo assim estavam tão cheias que nem era possível estender uma toalha. Um dia de praia na Venezuela é um espectáculo degradante, todos levam grandes grades de cerveja e estão o dia todo a beber, à tarde já esta tudo completamente "borracho". As pessoas na maioria são gordas, o que não me espanta pois bebem e comem demasiado mal. Aqui tudo é frito e com muita carne. Para terem uma ideia o Miguel era vegetariano há 10 anos e aqui já come cachorros quentes! Nós acabamos por passar o dia todo dentro de água a ver peixes coloridos e corais.
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Depois estivemos em Puerto la Cruz, eu e o Miguel, porque o Marco voltou para Caracas e a Eillen ficou uns dia com a família. As pessoas aqui são muito acolhedoras, ficamos numa casa de férias muito boa de uma venezuelana que conhecemos no dia de Carnaval e que foi para Caracas no dia seguinte de manha. Mal nos conhecia e mesmo assim não teve nenhum problema em deixar-nos ficar sozinhos em casa dela durante dois ou três dias.
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Aqui fomos experimentar o psicobloco numa ilha fantástica que fica a 20 minutos de barco de Puerto de la Cruz. É necessário pagar a um pescador para andar o dia inteiro connosco de barco mas mesmo assim não fica muito caro.
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Curtimos muito o psicobloco, as vias são boas e não são demasiado altas (entre 7 a 15 metros). Não há muitas vias, mas o suficiente para curtir uns dias. Acho que fiquei fanático e já estou a sonhar com umas ferias em Maiorca. Coincidimos com a expedição do Chris Sharma a terras venezuelanas. Eles estão tranquilos, pensam mais em rumba, fumar e tomar cerveja do que em escalar mas mesma assim já o vimos a apertar!
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No primeiro dia em que escalámos estava um canal venezuelano a filmar e os gringos ficavam com eles no hotel de 5 estrelas, quando terminaram as filmagens mudaram-se para a "nossa" casa. Acabámos por nos "colar" à expedição deles para os Tepuys, pois a logística é muito complicada e assim é tudo mais fácil. Nós queríamos muito fazer uma via larga mas sem friends vai ser difícil...
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Saudades e ate breve,
Nuno
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Não deixem de passar pela galeria de fotos do Jandiro :)

http://www.flickr.com/photos/jandiro/

segunda-feira, março 19, 2007

Campeonato da Europa de Boulder

A Selecção Portuguesa de Escalada Desportiva esteve este fim-de-semana no Campeonato da Europa de Boulder, em Birmingham. Depois de cumpridas as estafetas pelo Porto e por Londres, a Selecção chegou a Birmingham na quinta-feira à tarde, a tempo de ir ao technical meeting da prova.
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Na sexta-feira tiveram lugar as eliminatórias femininas. O primeiro bloco estava ao gosto de todas, muito fácil e bom para aquecer os motores para o que vinha a seguir - blocos de aplates, pinças e regletes a tender para o duro a muito duro. Infelizmente nem eu nem a Kimie tivemos power suficiente para deitar abaixo os blocos e rebolar por eles acima. Os 6 minutos que tinhamos à nossa disposição não foram suficientes para visualizar a sequência, apertar nos blocos e ganhar motivação para encadeá-los. Feitas as contas acabámos as duas em 40º lugar.
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Os rapazes competiram no dia seguinte e também não tiveram melhor sorte. Os blocos eram de difícil visualização com volumes e uma fissura bem ao estilo British. O melhor atleta encadeou apenas 4 dos 6 blocos à disposição. Para se passar à fase seguinte bastaria encadear 3 dos blocos, o que demonstra a dureza dos mesmos. O Zé fez o primeiro bloco e acabou em 54º lugar e o Fred ficou em 57º lugar.
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Quem deu show foi o austriaco David Lama, com apenas 16 anos ganhou a competição, mostrando sempre uma grande superioridade em todos os blocos. Nas meninas, vitória francesa para a Juliete Danion.
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Durante a nossa estadia tivemos oportunidade de treinar com a equipa espanhola, num muro de Birmingham. O muro tem muitas alternativas de extraprumo e de presas e pudemos apertar e aprender bastante com eles.
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Parece que a distância que nos separa dos restantes competidores ainda é grande e, às vezes, parece infinita... Vimos sempre para casa com a ideia clara de que temos de treinar mais. Mas será que basta só treinar mais? Será que temos condições para tal? Sabemos o que treinar? Quantas horas devemos gastar por sessão? O que aplicar em cada dia da semana: bloco ou resistência? Ao longo destes anos já aprendemos alguma coisa, mas falta-nos ainda aprender muito. Falta-nos aprender o que as outras selecções já sabem há muitos anos e que para elas não é novidade.
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Demos o nosso melhor e ficámos nos últimos lugares. No final da competição fico sempre com uma pergunta a moer-me o juízo: então e agora? Será que vale a pena vir a uma próxima ou será melhor ficar em casa a partilhar um pouco da experiência que ganhámos nestas competições com as gerações mais jovens?
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Nós demos o nosso melhor, disso não tenho dúvida, mas o nosso melhor não é suficiente, nem sequer para nos igualarmos aos melhores da Europa. Aproveito para agradecer o apoio da Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada e o apoio da Deep Eyes.
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Obrigado a todos pelas palavras de apoio e de incentivo, que foram muito bem recibidas :)
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T-shirt da selecção, fornecida pela Deep Eyes

Eu no primeiro bloco

Descansando entre blocos

Terceiro bloco da prova. Dos mais duros...

Kimie trocando impressões com a Irati Anda (Selecção Espanhola)
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Kimie lutando no quinto bloco
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Últimas forças para o último bloco
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José Abreu no segundo bloco
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Fred no primeiro bloco, momentos antes de lançar

Fred no segundo bloco

Zé no diedro (4º bloco)

Fred na fissura (3º bloco)
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Treinando em Birmingham
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Treinando em Birmingham (Pablo Barbero, Edu Marin e Irati Anda)

quarta-feira, março 14, 2007

Campeonato da Europa de Boulder

A selecção nacional de escalada da Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada está de malas feitas para participar no Campeonato da Europa de Boulder que terá lugar nos próximos dias 16,17 e 18 deste mês. Vão se deslocar a Birmingham o seleccionador nacional, José Carlos e os atletas José Abreu, Frederico Silva, Kimie Kon e eu.
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As meninas vão ser as primeiras, competindo logo na sexta-feira, os rapazes competem no sábado e no domingo decorrem as finais. Vamos tentar dar o nosso melhor e esmagar as presas coloridas dos painéis da prova. A tarefa não se adivinha nada fácil!
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Para se manterem informados não deixem de passar pelo blog da selecção nacional http://seleccaoescalada.blogspot.com/ e pelo site oficial da prova www.thebmc.co.uk/climb07

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A selecção na participação do ano passado em Birmingham (da esq para a dir: José Carlos, Frederico Silva, Leopoldo Faria, Marisa Correia, eu e o José Abreu)

terça-feira, março 13, 2007

Team Petzl Beal em Torres Novas

Decorreu no passado fim-de-semana em Torres Novas um encontro de escalada com a presença da Team Petzl Beal. Estiveram presentes o Rui, eu, o Zé, o Leo, o Luis e o Marc. No sábado houve uma apresentação de fotos da Team na Sociedade Torrejana de Espeologia e Arqueologia e no domingo uma concentração em na zona de Bloco de Casal João Dias, Serra D’Aire.
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Esta zona conta com dezenas de blocos de dificuldade média-baixa ideais para quem se quer iniciar nesta actividade. A maioria dos blocos estão marcados por setas, mas existem ainda muitos por abrir. Os blocos são na sua maioria verticais com presas e buracos perfeitos. Ainda há muitos blocos por explorar escondidos por detrás da densa vegetação arbustiva.
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O encontro iniciou-se às 10h da manha e contou com a presença de mais de 20 miúdos torrejanos, com idades a compreendidas entre os 5 e os 16 anos.
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Todos tiveram oportunidade para escalar os blocos e só alguns experimentaram uma queda segura nos crash-pads. Magnesiaram as mãos e fizeram lançamentos à super-herói, com e sem ajuda todos chegaram ao cimo dos blocos ou completaram as travessias. As meninas estavam mais tímidas a observarem de longe a força e energia inesgotável dos rapazes. Até os pais, motivados pelos filhos e pelo ambiente, também se aventuraram a trepar pelos calhaus. O ambiente esteve fanático com os mais novos a mostrarem a sua audácia.
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Os elementos da team Petzl Beal além de seguradores, no sentido restrito da palavra, também mostraram a sua força num bloco mais duro.
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Aqui ficam umas fotos dos mais novos a apertarem.
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quinta-feira, março 01, 2007

Sudamérica - Parte 3

Há muito que não escrevo um report da viagem mais por preguiçaa do que por falta de tempo. Numas férias grandes sempre há tempos mortos, mas ao fim de um mês o stress da cidade já se foi e não necessito de estar a fazer alguma coisa para me sentir bem. Consigo desfrutar os dias com tranquilidade sem sentir que estou a perder o meu tempo!
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No último report estava em Suesca e fiquei lá durante mais algum tempo. Grande qualidade de vida, emprestaram-nos uma casa com todas as condições, não usávamos carro, íamos sempre a pé para as paredes, o pueblo é pequeno e tranquilo e tudo é muito mais barato que Bogotá. Na Colômbia há uma grande tradição de escalada de fissuras. Parece-me que existem menos vias desportivas do que clássicas e todos os escaladores estão habituados aos friends (lá os clássicos tem futuro). Em Suesca as fissuras abundam e tive a oportunidade de provar algumas de grande qualidade. Curti tanto que já encomendei o meu conjunto de friends para mudar de vida quando voltar a Portugal.
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Fomos um dia conhecer Macheta, um sitio do qual nos disseram maravilhas: vias de continuidade de 30 metros, arenisca e muito bonito. No final foi uma grande desilusão, para eles é bom pois as vias de continuidade não abundam na Colômbia, mas a rocha é de fraca qualidade, as vias ainda estão um pouco sujas e fica perto da estrada!
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Voltamos para Bogotá com o objectivo de conhecer as várias zonas de bloco que circundam a cidade. Colômbia é um pais com muita rocha mas em que esta quase tudo por descobrir e equipar. Por isso o ideal é levar um crash e uma escova pois o potencial de boulder é enorme e as condições quase perfeitas, boa temperatura e arenisca de grande qualidade. Nós escalamos em Soacha e em Sutatausa, dois sítios muito bons e onde a maioria dos blocos ainda estão virgens! Não podemos visitar La Calera, o spot mais famoso e que pelas fotos parece magnifico, pois é necessário ir com guarda costas. Fica num morro no meio de Bogotá a 3000 metros de altitude mas por baixo tem um bairro demasiado perigoso, a taxa de assaltos nos últimos tempos estava acima dos 50%.
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Nos dias de bloco ficamos sempre em Bogotá, que tem as desvantagens óbvias de todas as cidades, transito, poluição, ruído mas por outro lado podemos conhecer um pouco da cidade. Visitámos o Museu do Ouro, o Museu Botero onde podemos ver o próprio escultor de carne e osso, e perdemo-nos em passeios pela zona antiga da cidade (colonial) e pelo centro. O centro da cidade está muito cuidado, há ruas pedonais e outras onde só passam transportes públicos. Ainda pudemos conhecer um pouco da noite colombiana (!?!?). Abundam os bares de salsa e reggeaton, mas também se encontram bares de reggae e o típico bar/discoteca com música anglo-saxonica cheio de turistas de todas as partes do mundo.
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Acabámos por ficar mais um dia a desfrutar o verão em Bogotá, com vinte e tal graus (temperatura pouco comum a 2600 metros. No dia que planeávamos partir era o dia sem carros! Neste dia a cidade esta cheia de carros na mesma pois há mais autocarros e táxis do que carros particulares, de qualquer forma o transito fica um pouco menos caótico.
De Bogotá iniciámos o regresso para a Venezuela, voltamos a Bucaramanga onde nos separámos do Carlos Jose, teve de ir para Caracas tratar dos papéis para se legalizar em Espanha. Escalamos um pouco mais em Mesa de los Santos, o sitio de escalada que mais gostei nestas férias, e rumámos em direcção ao Norte em busca de umas praias paradisíacas na costa atlântica da Colômbia para descansar um pouco de tanta escalada.
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Deixámos as montanhas e descobrimos que também há rectas na Colômbia, vimos o primeiro traço descontínuo em 3 ou 4 semanas de viagem e pudemos fazer uma média horária superior a 40 km/h. Isto trouxe outros problemas, desde a Venezuela que o paquito teimava em deitar a quinta fora, o que não nos preocupava minimamente pois pôr a quarta nas estradas sinuosas por onde andávamos era muito raro. Mas agora tudo era plano e tocava-me a mim agarrar a manete das mudanças para a quinta não saltar. Ao fim de algum tempo o meu braço já estava inchado e cada vez necessitava de fazer mais força para manter a quinta. Passei a usar o pé em vez do braço e por fim tivemos que desistir e ir calmamente em quarta. Devido ao meu esforço, ao fim se 11 horas de caminho, conseguimos chegar a tempo ao Parque Natural de Tayorana mas por outro lado derretemos várias rodas dentadas e gastámos o triplo do dinheiro no arranjo.
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O sítio é verdadeiramente paradisíaco, praias quase desertas e limpas, coqueiros e muitos blocos de granito. Tem de se caminhar entre 40 minutos a uma hora e meia para chegar às varias praias. Há zonas de acampada, pequenos restaurantes e turistas de todas as partes do mundo. Antes da colonização a zona era habitada por indígenas dos quais ainda há muitos vestígios. Fizemos uma caminhada de uma hora sempre a subir por uma escadaria de pedra que nos levou a umas ruínas de um pueblo índio verdadeiramente espectacular.
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Ao pé de Tayrona situa-se a Serra Nevada, a serra mais alta do mundo tão perto do mar. Esta serra esta dominada pela guerrinha e por grandes plantações de coca, mesmo assim é muito seguro viajar pois o exército colombiano está na estrada de um em um km, em nenhum momento sentimos insegurança.
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by Nuno Pinheiro
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Não deixem de passar pelo álbum do Jandiro para ver mais fotos.