quinta-feira, março 01, 2007

Sudamérica - Parte 3

Há muito que não escrevo um report da viagem mais por preguiçaa do que por falta de tempo. Numas férias grandes sempre há tempos mortos, mas ao fim de um mês o stress da cidade já se foi e não necessito de estar a fazer alguma coisa para me sentir bem. Consigo desfrutar os dias com tranquilidade sem sentir que estou a perder o meu tempo!
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No último report estava em Suesca e fiquei lá durante mais algum tempo. Grande qualidade de vida, emprestaram-nos uma casa com todas as condições, não usávamos carro, íamos sempre a pé para as paredes, o pueblo é pequeno e tranquilo e tudo é muito mais barato que Bogotá. Na Colômbia há uma grande tradição de escalada de fissuras. Parece-me que existem menos vias desportivas do que clássicas e todos os escaladores estão habituados aos friends (lá os clássicos tem futuro). Em Suesca as fissuras abundam e tive a oportunidade de provar algumas de grande qualidade. Curti tanto que já encomendei o meu conjunto de friends para mudar de vida quando voltar a Portugal.
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Fomos um dia conhecer Macheta, um sitio do qual nos disseram maravilhas: vias de continuidade de 30 metros, arenisca e muito bonito. No final foi uma grande desilusão, para eles é bom pois as vias de continuidade não abundam na Colômbia, mas a rocha é de fraca qualidade, as vias ainda estão um pouco sujas e fica perto da estrada!
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Voltamos para Bogotá com o objectivo de conhecer as várias zonas de bloco que circundam a cidade. Colômbia é um pais com muita rocha mas em que esta quase tudo por descobrir e equipar. Por isso o ideal é levar um crash e uma escova pois o potencial de boulder é enorme e as condições quase perfeitas, boa temperatura e arenisca de grande qualidade. Nós escalamos em Soacha e em Sutatausa, dois sítios muito bons e onde a maioria dos blocos ainda estão virgens! Não podemos visitar La Calera, o spot mais famoso e que pelas fotos parece magnifico, pois é necessário ir com guarda costas. Fica num morro no meio de Bogotá a 3000 metros de altitude mas por baixo tem um bairro demasiado perigoso, a taxa de assaltos nos últimos tempos estava acima dos 50%.
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Nos dias de bloco ficamos sempre em Bogotá, que tem as desvantagens óbvias de todas as cidades, transito, poluição, ruído mas por outro lado podemos conhecer um pouco da cidade. Visitámos o Museu do Ouro, o Museu Botero onde podemos ver o próprio escultor de carne e osso, e perdemo-nos em passeios pela zona antiga da cidade (colonial) e pelo centro. O centro da cidade está muito cuidado, há ruas pedonais e outras onde só passam transportes públicos. Ainda pudemos conhecer um pouco da noite colombiana (!?!?). Abundam os bares de salsa e reggeaton, mas também se encontram bares de reggae e o típico bar/discoteca com música anglo-saxonica cheio de turistas de todas as partes do mundo.
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Acabámos por ficar mais um dia a desfrutar o verão em Bogotá, com vinte e tal graus (temperatura pouco comum a 2600 metros. No dia que planeávamos partir era o dia sem carros! Neste dia a cidade esta cheia de carros na mesma pois há mais autocarros e táxis do que carros particulares, de qualquer forma o transito fica um pouco menos caótico.
De Bogotá iniciámos o regresso para a Venezuela, voltamos a Bucaramanga onde nos separámos do Carlos Jose, teve de ir para Caracas tratar dos papéis para se legalizar em Espanha. Escalamos um pouco mais em Mesa de los Santos, o sitio de escalada que mais gostei nestas férias, e rumámos em direcção ao Norte em busca de umas praias paradisíacas na costa atlântica da Colômbia para descansar um pouco de tanta escalada.
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Deixámos as montanhas e descobrimos que também há rectas na Colômbia, vimos o primeiro traço descontínuo em 3 ou 4 semanas de viagem e pudemos fazer uma média horária superior a 40 km/h. Isto trouxe outros problemas, desde a Venezuela que o paquito teimava em deitar a quinta fora, o que não nos preocupava minimamente pois pôr a quarta nas estradas sinuosas por onde andávamos era muito raro. Mas agora tudo era plano e tocava-me a mim agarrar a manete das mudanças para a quinta não saltar. Ao fim de algum tempo o meu braço já estava inchado e cada vez necessitava de fazer mais força para manter a quinta. Passei a usar o pé em vez do braço e por fim tivemos que desistir e ir calmamente em quarta. Devido ao meu esforço, ao fim se 11 horas de caminho, conseguimos chegar a tempo ao Parque Natural de Tayorana mas por outro lado derretemos várias rodas dentadas e gastámos o triplo do dinheiro no arranjo.
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O sítio é verdadeiramente paradisíaco, praias quase desertas e limpas, coqueiros e muitos blocos de granito. Tem de se caminhar entre 40 minutos a uma hora e meia para chegar às varias praias. Há zonas de acampada, pequenos restaurantes e turistas de todas as partes do mundo. Antes da colonização a zona era habitada por indígenas dos quais ainda há muitos vestígios. Fizemos uma caminhada de uma hora sempre a subir por uma escadaria de pedra que nos levou a umas ruínas de um pueblo índio verdadeiramente espectacular.
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Ao pé de Tayrona situa-se a Serra Nevada, a serra mais alta do mundo tão perto do mar. Esta serra esta dominada pela guerrinha e por grandes plantações de coca, mesmo assim é muito seguro viajar pois o exército colombiano está na estrada de um em um km, em nenhum momento sentimos insegurança.
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by Nuno Pinheiro
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Não deixem de passar pelo álbum do Jandiro para ver mais fotos.

2 Comments:

At 05 março, 2007 12:17, Anonymous mig said...

Bem vindo, mas vais ver que no teu regresso para uma nova vida vais ter bastante futuro!
Continua a desfrutar dessa magnifica viagem (e a enviar reports).

M. Grillo

 
At 05 março, 2007 15:45, Blogger Cigano said...

Deus me livre de trocar essas praias horríveis pela minha secretária aqui do trabalho. Livra!

 

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