quarta-feira, maio 23, 2007

USA - Parte 1

A nossa viagem iniciou-se em Newark (Nova Iorque) e vai acabar em San Francisco. Primeiro a costa Este e depois a costa Oeste. O inicio da viagem, foi o normal, aterramos em Newark, chateamos-se todas as rent-a-car a ver qual a que nos fazia um melhor preco, decepcionados com os precos acabamos por escolher a Avis, que apesar de ser carissima era a mais em conta e rapidamente nos metemos a estrada, para fugirmos da agitacao da cidade.
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Existem alguns dados interessantes sobre os Estados Unidos em geral, primeiro convem cumprir os “speed limit” nas estradas, apesar dos policias simpatizarem com os portugueses, mais cedo ou mais tarde pode-vos cair uma multa no bolso, segundo sao os fast food: nao se sente verdadeiramente a america sem se passar o tempo em busca de um McDonalds para saciar a fome (algo que nunca pensei que me acontecesse...), terceiro, compras so no Wal-Mart, e as palavras mais ouvidas por aqui sao: awesome e amazing!!!
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Sobre a escalada desportiva tambem existem uns factos interessantes. Em primeiro lugar, se escalas sexto grau, vieste ter ao destino certo, as vias sao todas de excelente qualidade e nascem como cogumelos; em segundo lugar e’ aqui que esta a melhor escola de escalada desportiva do mundo: Red River Gorge; e por ultimo, se nao tens o stickclip (tambem conhecido como anoretico) prepara-te para passar o tempo a procura de paus, ou para passar medo em blocagens duras a 2 metros do chao, sem nenhuma chapada!
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O primeiro destino de escalada foi Rumney, 500 km a Norte de Nova Iorque. Esta falesia e’ famosa pelo tipo de rocha e por ter vias tecnicas e bloqueiras. Foi aqui que o poderoso Dava Graham aprendeu a escalar. O sitio e fantastico e sem duvida merece uma visita. A escalada e muito diferente da que estamos habituados e pode-se encontrar de tudo, desde vias de tres chapas, ate vias de 30 metros. A escalada e hiper tecnica sobre um granito escuro muito aderente. Abundam as regletes, embora tambem se encontre um ou outro aplate. Os calhaus vao surgindo no meio de uma densa floresta, mantendo o acesso aos sectores muito apetecivel. Apesar da escalda estranha e tecnica, nos la nos safamos nas vias mais longas, porque nas de bloco ate em 6b caimos...
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De Rumney direccao New River Gorge, para mais escalada! Esta zona de escalada desportiva esta relativamente proxima de Red River Gorge, e por isso sao comparadas muitas vezes pelos escaladaores locais. Aqui entre nos, apesar de New River Gorge ter vias fantasticas, nada se compara a Red River Gorge, uma das melhores falesias do mundo. Mas falarei disso mais adiante... Em New River Gorge, como o nome indica, as falesias vao surgindo nas margens do New River. Existem muitas zonas com sectores, mas nos so escalamos em Kaymoor e em Summersvile Lake. Este foi o nosso primeiro contacto com a arenisca norte americana. No primeiro dia, e visto que a sorte persegue os audazes, fomos logo dar ao melhor sector. Aquecemos em vias de sexto grau, simplesmente fantasticas. Alias, nas escolas de arenisca onde estivemos as vias de sexto grau sao sempre boas e apetece fazer todas!!! Maravilhados com aquele sector quisemos ir logo ver os proximos, e apanhamos a primeira praxadela das ferias em busca de sectores: muita caminhada no meio das silvas, paredes verticais cheias de “nhapas” (tambem conhecidas por “selenitagens”), muito tempo a procura do “trail”... enfim, um epico! Fartos da praxadela, paramos junto de um 5.12a (7a+) com muito boa pinta. La tiramos tudo da mochila e zaca, o Nuno faz a vista e eu nem me mexo... L A noite quando estavamos na zona de acampada a conversar com locais fiquei finalmente a saber o nome da via, e fiquei mais bem disposta – “The world’s hardest 5.12a”. No ultimo dia fomos a Summersville Lake. Aqui as vias nascem coladinhas ao lago. Pode-se escalar, dar um mergulho, fazer psico bloco, ou ficar simplesmente a apanhar sol numa pedra entre mergulhos. As melhores vias que provamos foram 5.10s, que vai de 6a a 6b+. Arenisca laranja, meio desplomada, e com presas de tamanho inumano. Tambem apanhamos alguma porrada nos graus duros, porque por aqui as “ofertas” sao dificeis de encontrar.
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Red River Gorge, Kentucky! O spot! Se falarmos de escalada desportiva nos Estados Unidos, fala-se sempre de Riffle e Red River. O sitio e simplesmente fantastico. A arenisca e de excelente qualidade e as vias sao maioritariamente de resistencia e continuidade. Os tons da rocha alteram entre o preto e os laranjas vivos. O local dos escaladores e o Miguel’s Pizza, que e um restaurante e um campground fundado por um tuga. Alem das pizzas excelentes o Miguel tambem vende material de escalada a pontapes. Os primeiros dias por aqui foram excelentes, o Nuno comecou logo a triunfar e eu a habituar-me outra vez as vias de continuidade em buracos. Visitamos imensos sectores, mas sem duvida o The Motherlode foi o que mais encheu os olhos, e e’ onde se concentram as vias mais duras da escola. Os ultimos dias fomos apanhamos por uma vaga de calor e foram mais banhos de rio do que escalada.
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Do Kentucky iniciamos a nossa viagem rumo a costa Este, ainda vamos passar pela famosa zona de bloco do Arkansas e dai direccao Colorado e Utah. A escalada desportiva vai diminuir e vamos despedirmo-nos da arenisca...
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Nota: Faltam a acentos... e os erros podem abundar, mas as pressas numa manha na biblioteca desculpam estas falhas.
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sexta-feira, maio 18, 2007

Sudamerica - Parte 6

Brasiu! País Maravilhoso!
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Para mim escrever é algo difícil e moroso, como tal os comentários positivos ao meu último post foram fundamentais para me motivarem a mais um trip report! Aqui fica um resumo muito resumido:
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Manaus - Banho nocturno nas águas quentes do imenso rio Negro que banha a cidade no meio da selva Amazônica.
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Salvador - Sol, praia, rio, mar, respirar a tranquilidade da aldeia hippie de Arembepe, conviver com as pessoas acolhedoras, simples e felizes da vila, presenciar uma aula de capoeira e desfrutar da saudável e maravilhosa comida baiana.
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Parque Nacional da Chapada Diamantina - Lençóis, vila pequena, turística, muito simpática e acolhedora, comida excepcional, muita rocha, cachoeiras, trekkings e essencialmente muito convívio. A Chapada, zona de muito garimpo, no que toca a escalada ainda é um diamante em bruto, com um enorme potencial completamente virgem. Aqui fomos vedetas por uns dias, a notícia que tinham chegado uns escaladores fortes espalhou-se rapidamente. Subiram pessoas ao sector só para nos ver escalar e quando conhecíamos alguém era normal ouvir: "Ahh são vocês os portugueses!!!"
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Éramos conhecidos pelos portugueses, mas actriz principal era uma venezuelana! No primeiro dia um carismático escalador local, numa atitude um pouco machista mas sem malícia, sugeriu que fossemos fazer uma parede grande onde também havia um trekking para que a Eillen pudesse chegar ao topo! Eu ainda tentei avisar, mas ele só entendeu bem o tamanho do disparate, quando nesse mesmo dia ela encadeou em flash o projecto dele e ainda baixou de 7b+ para 7a+! O actor secundário foi o Miguel com a abertura de vários blocos bem duros, muitos descalço, alguns sem magnésio e a maioria sem crash! Por último eu obtive a minha imortalidade com o primeiro encadeamento de "Vai quem quer" uma via em que é necessário um friend no crux mas que não deve passar de 7a+!! Em terra de cegos, quem tem um olho mesmo que com dez dioptrias é rei!
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Na Chapada começamos a viajar com três brasucas, Marcos, Tiago e Bicudo num enorme jipe.
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Minas gerais - Muito calcário, muita parede negativa, muita escalada e muito louco! Até conhecemos um hippie de cristo! Boulder em Conceição do Mato de Dentro e desportiva na Serra do Cipó, Sitio do Rod, Lapinha e Baú de Minas.
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Rio de Janeiro - Cidade da praia, cidade da escalada! É tão clássico um turista comum na praia de Ipanema como o turista escalador subir a via dos Italianos no Pão de Açucar. Enquanto o turista passeia no centro o escalador faz bloco na Urca! etc, etc! Parede grande, bloco, falésia, desportiva, clássica, artificial, há de tudo em quantidade e qualidade no meio da cidade, e só não há mais porque muitas das paredes ficam demasiado perto das favelas!
Desportiva - Platô da Lagoa, Asa Delta, Campo Escola 2000 e Barrinha. Bloco - Urca e Grajaú
Desportiva em parede - Pão de Açúcar
Vou destacar alguns pontos interessantes:
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Primeira noite cozinhamos na fogueira, dormimos ao relento, de manhã apanhamos abacates e vimos muitos macacos, tudo isto no platô da Lagoa que fica a 5 minutos a pé de uma rua movimentada da cidade! Em toda a viagem muito raramente pagamos para dormir e ainda não nos tínhamos mentalizado que tinha mesmo que ser! Mudamos de ideias quando nos disseram que a zona de noite normalmente era frequentada por traficantes!
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Final da segunda fase do campeonato carioca, Botafogo - Cabofriense no Maracanã e no meio da claque do Botafogo.
Barrinha, escola de alta dificuldade, parede ligeiramente negativa altura a rondar os 30 metros, vias excepcionais num granito de grande qualidade.
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Primeira subida ao Pão de Açúcar - Via dos Italianos, quinto grau brasileiro que não passa de 6a francês. Início tardio, cordada de três, com a certeza de chegar de noite. Visual irado descida na a borla no bondinho (teleférico).
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Segunda subida - Via Secundo, 7a brasileiro que corresponde a um 6c francês E2 de exposição. Todos os ingredientes de uma parede grande no Brasil, levantar muito cedo, aquecimento forçado no meio do mato à procura da via, muitas horas de escalada, muito calor e muito muito medo!!! Como esperava as dificuldades não apareceram nos largos duros, mas sim nos quintos graus de chaminé! É logo no ínicio e com a primeira chapa a 20 metros! Mais de uma hora de sofrimento para me arrastar por estes vinte metros de chaminé tão estreita que houve uma altura que até a cabeça estava encaixada! E quando pensei que estava livre, no terceiro largo apanhei com outra na qual não tinha reparado no croqui!
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Ubatuba situa-se no litoral norte de São Paulo um pouco a sul de Paraty, a zona é montanhosa e a costa muito recortada formando infinitas baias. A mata atlântica cobre toda a região, as baias estão repletas de praias de areia grossa e amarela banhadas pelas águas cristalinas de um azul turquesa paradisíaco e limitadas nas extremidades por blocos de granito. A zona de boulder situa-se num pequeno cabo na extremidade de uma das praias, poucos blocos mas de elevada qualidade. É uma zona rica onde muitas famílias de São Paulo tem casa de fim de semana, como é o caso dos pais do Marcos. O pai dele é arquitecto e foi ele que a desenhou e decorou. A arquitectura é minimalista e harmoniosa, a casa é grande, aberta e muito ampla. Na frente há um relvado rodeado de arvores e logo depois vem a praia. Da casa à praia não distam mais de 20 metros! A vida selvagem abunda, com especial destaque para as tartarugas que é possível avistar todos os finais de tarde. Nesta casa passamos quatro dias e durante a nossa estadia todos os dias havia duas empregadas que limpavam e faziam o almoço! Parecia que estrava dentro de uma novela basileira a fazer vida de menino rico!
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