quarta-feira, junho 20, 2007

USA - Parte 3

Sao 9h da manha e ja esta um calor impossivel. Estamos no deserto, ao lado de Moab, Utah. Preparamo-nos para escalar uma torre no deserto, a Castleton Tower. A via que escolhemos esta dividida em 4 largos e percorre uma chamine, embora a escalada nao seja do tipo chamine (o que e bom!).
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Depois de um pequeno almoco reforcado, que o dia adivinha-se longo, comecamos a fazer contas ao material. Tiramos do fundo do porta-bagagens o material de classica, amavelmente cedido pela Loja Espacos Naturais. E preparamos numa mochila muita agua e alguma comida.
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Iniciamos a aproximacao a base da via la pelas 9:30h. Os americanos que nos tinham aconselhado esta torre, falaram em hora e meia de caminhada e que com a nossa passada reduziriamos para uma hora (nao percebo o que eles viram na nossa passada!!...), no guia de escalada indicava uma aproximacao de 40 min! Acabamos por fazer a caminhada sempre a subir a um bom ritmo sem nunca parar e com o sol de chapa ao sabor de uns apeteciveis 38 graus em 55 min!!! Triunfantes, tinhamos reduzido as nossas expectativas em 5 min! No entanto ficamos um pouco apreensivos com as informacoes que constavam do guia. Sera que eles dao o grau a via da mesma maneira que fazem a aproximacao? Entao um 5.9 passara a ser para nos um 5.10? Ficamos alerta!
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Depois de alguns minutos a procurar a via, la encontramos a linha obvia que seguia as fissuras. A rocha e' arenisca de grande qualidade, algumas vezes coberta com calcite. As fissuras sao verticais e do tamanho de uma mao.
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O Nuno foi o primeiro a escalar. Tinhamos combinado que ele abriria os dois primeiros largos e eu os dois ultimos. O primeiro largo e’ o mais longo e o mais duro, “two-hands crag”! O Nuno la foi subindo, entalando-se aqui e ali, destrepando para recuperar um “amigo” ou outro e lentamente chegou a reuniao. Eu arrastei-me pelas duas fissuras, perdendo o encadeamento por uma guerra feroz com o “amigo” 3,5 que teimava em nao querer regressar a terras lusas. Depois de algumas golpadas e marteladas dei por perdida a batalha: Camelot – 1, Isabel – 0. O Nuno muito optimista e achando que eu nao me tinha esforcado o suficiente, rapelou para tentar ele mesmo a sua sorte. Entre “expressada”, arranhadela e empurrao, o nosso “amigo” la saiu da alcova e ficamos os dois com um belo sorriso na cara, nao so porque regressariamos a Portugal com saldo positivo como teriamos tambem mais uma proteccao, que seria muito bem-vinda para os largos seguintes.
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O segundo largo e’ pequeno e tem um passo de “off-with” logo a saida da reuniao. Tinhamos visto fotos na net, de pessoal metade enfiado na fissura, ou seja, apenas com a cabeca, um braco e uma perna de fora. Estavamos um pouco receosos… Quer dizer, eu estava tranquila, porque iria de segundo, mais puxadela menos puxadela ponho-me la em cima. O Nuno e' que teria mais problemas… No final, o Nuno acabou por seguir directo pela placa, ‘a boa moda de um escalador desportivo, agarrando-se a umas regletas bem abonadas e finalizando a sequencia com: “Este passo e’ uma cagada!”. E pronto, mais um largo conquistado!
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Finalmente tinha chegado a minha vez. O terceiro largo segue por umas fissuras, numa escalada facil onde e’ facil colocar os "amiguitos". Segue-se um passo interessante para sair da chamine no meio de rocha podre, e depois uma escalada em placa onde o material entra apenas para conforto psicologico, chega-se a "reuniao". A "reuniao" deste largo e’ ao estilo “sem reuniao”. Ou seja, nao da para colocar nenhum material e nao ha por la nada fixo. Seguindo as instrucoes dos americanos, sentei-me num buraco e com os pes contra o calhau, gritei: “Reuniao! Podes vir Nuno!”.
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O ultimo largo era facilissimo e eu voltei a abrir este largo. Escalada em placa com grandes presas! E em menos de nada estavamos no cimo da torre! As vistas sao fantasticas e o vento sopra alegremente para nos refrescar um pouco.
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Depois de arrumar todo o material e fazer os obrigatorios rapeis, acabamos com uma bela odisseia para regressar ao carro, com o sol de chapa e os amigos 38 graus a aquecer o espirito!...
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O nosso popo, a confusao e a Castleton Tower la atras.
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Eu a arrumar o material.

O Nuno a abrir o primeiro largo.

Nuno a entalar-se no segundo largo.

Eu a colocar o material no arnes para abrir o terceiro largo.

O final da chamine no terceiro largo.

A "reuniao" do terceiro largo.

Eu no ultimo largo.

Nuno no quarto largo.

Eu no topo e a vista das torres no deserto do Utah.

O rappel!

As torres! A Castleton Tower e a da direita!

quinta-feira, junho 07, 2007

USA - Parte 2

A caminho do oeste…

Olho para o mapa, procuro entre os 50 CDs que trouxe, um que ainda nao tenha ouvido mil vezes. Ponho a musica a tocar, olho pela janela e lentamente vou absorvendo todas as cores e paisagens que se me deparam. Ao longe as manchas verdes enaltecem a minha imaginacao, os desertos enchem-me o espirito, as estradas veem-se lentas e compridas, as cidades geometricas e americanas. De onde estou nao consigo sentir os cheiros e passo pelos lugares depressa demais, sinto apenas a paisagem a correr rapido ao meu lado, a transformar-se ininterruptamente, a mudar, enchendo-se de cores alegres e cinzentas.
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O azul do ceu vai-se transformando caprichosamente ao sabor do sol, umas vezes azul cristalino, outras branco e forte, as vezes salpicado por nuvens timidas. A temperatura sinto-a. Oscila ao sabor da latitude e da altitude e nunca estou certa do que me espera, ou um calor humido de verao, ou um frio continental acompanhado de uma bolas de neve.
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A medida que a paisagem muda a curiosidade aumenta. Quero sempre ver mais, absorver com exactidao todas os diferentes verdes da floresta, perceber ate onde vai a imensidao amarela da planicie, sentir a elevacao da montanha e descobrir um pico nevado algures perdido no frio da altitude.
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Devagar, ao sabor dos dias ou mesmo das semanas, os verdes da floresta vao dando lugar aos amarelos, as planicies aparecem e veem para ficar, para la delas a vista nada mais alcanca, as pessoas, as casas, tudo muda. As estradas sao mais geometricas e aborrecidas para o condutor, o relogio atrasa-se e tudo fica mais lento. E preciso viajar um pouco mais, para sermos novamente despoltados por novas emocoes.
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O CD ja deu a volta e’ altura de escolher outra musica. Finalmente surgem no horizonte as montanhas, os picos nevados. A rocha aparece novamente com tonalidades fortes e agressivas. Finalmente, as planicies dao lugar as montanhas, a terra da lugar a rocha, o calor esconde-se e o frio aperta. Tudo passa mais rapido.
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O por do sol, esse sim, mantem-se sempre inalteravel, todos os dias com um espectaculo diferente. Do vermelho ao laranja, umas vezes forte a pegar fogo as nuvens, outras vezes timido e fraco a desaparecer sem deixar rasto. E todos os dias os espectaculo repete-se no horizonte...
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Amanha sera igual, o sol ira desaparecer na nossa frente e tudo o que nos rodeia sera diferente. Espera por nos o deserto laranja dos filmes do oeste.
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