sexta-feira, janeiro 25, 2008

Sesimbra

Aqui fica mais um artigo escrito por Nuno Pinheiro.
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Sesimbra embora tenha sido invadida pela especulação imobiliária de gosto duvidoso continua a ser um terra simpática e hospitaleira onde, fora do verão, se está muito bem. Para quem gosta de mar, de apanhar sol num dia de Inverno e de passar calor enquanto o resto do país treme de frio, Sesimbra é o local ideal.
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Do lado Nascente escala-se nas técnicas placas do Dente de Leão, do lado Poente situa-se o sector mais antigo.
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Neste sector onde é verão todo o ano, há de tudo: vias curtas ou grandes, de bloco ou continuidade, sobre extrapumos ou placas. Os graus vão desde os quintos fáceis aos projectos, passando por muitos sextos, sétimos e um oitavo. As presas é o habitual do calcário, para além dos buracos, chorreiras, regletes há que salientar que nas linhas mais plaqueiras predominam as gotas de água ao estilo cama de pregos!
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Há um mês atrás voltei a Sesimbra onde já não escalava há algum tempo e provei pela primeira vez a “Prisão de Ventre” excelente linha equipada por João Gaspar. Como diriam os nuestros hermanos “una via con ambientasso de mil cohones” capaz de acabar com qualquer prisão de ventre por mais crónica que seja. Além de passar muito medo, esta via permitiu-me ver mais de perto um pequeno extraprumo com chorreiras tendo ficado motivadíssimo para equipar.
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No fim-de-semana a seguir, apesar da festa em casa do Peniche, não deixei de madrugar e ir ver o nascer do sol a Sesimbra. A bateria traiu-me e acabei por não fazer nem um furo. Quinze dias depois já refeito da frustração voltei, embora com um mau pressentimento pois andava em maré de azar. Ainda no dia anterior tinha deixado cair um sapato ao mar no Espinhaço tendo acabado a fazer a caminhada com um pé descalço.
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Desta vez o dia corria bem e o trabalho aproximava-se do fim. Estava a terminar um dos últimos furos, numa situação um pouco precária, preso por uma só unha e com a corda a fazer uma diagonal a 45 graus quando a unha se soltou!? Voei em pêndulo de cabeça para baixo mas sem grandes consequências físicas, exceptuando uns arranhões nas costas e uns cortes nos dedos. Quando me refiz do susto pensei: “Uff, grande sorte não passou nada!” Mas ao olhar para a parede vi um bocado do berbequim!? A broca ficou presa no furo e a máquina que estava segura a mim por uma fita partiu pelo punho. Embora mal tratado, nesta altura o berbeque ainda teria arranjo pois só tinha partido plástico, coloquei-o nas costas e comecei a jumariar. A meio da subida este caiu 70 ou 80 metros, desintegrou-se e os restos mortais repousam no fundo do mar. (a fita, que permitia colocar o berbequim a tiracolo, de um dos lados estava presa pelo punho!)
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Antes de Natal voltei para acabar o trabalho e encadear as vias. Ficaram com um runout em memória ao maior "equipador" português, mas não se preocupem que é fácil e em caso de queda espaço para cair não falta! Para aceder às vias é necessário fazer o excelente primeiro largo da “Malucos para a Troca” depois atravessar cinco metros para a esquerda e escalar uma pequena via de acesso com três chapas. À esquerda deste top existe uma base evidente de onde saem as duas linhas. Embora sejam de largos estas vias são muito confortáveis pois todas as reuniões têm bases excelentes.
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Croqui do sector. Retirado de http://www.gmesintra.com/
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3F – Furo Fatal da Furadeira – 6b+ (largo de acesso)
Morte em Dois Actos – 7a+
Ali Jaz Berbeká e os 400 Viões – 7b+
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Nuno na Ali Jaz Berbeká e os 400 Viões
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Hugo "Fifty" na Morte em Dois Actos
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Mais uma vez, muito obrigado à Espaços Naturais pelo apoio em material.
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Obrigado também aos fotógrafos, Rui Pereira e João Gaspar principalmente ao Rui que teve pendurado durante mais de duas horas.
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Rui Pereira (o fotógrafo) pendurado
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