sexta-feira, setembro 25, 2009

Do baú!

Na altura não tive tempo para colocar aqui as fotos de uma viagem que fizemos à Meadinha no fim-de-semana do 1 de Maio deste ano. Éramos 5 aqui de Lisboa, eu, o Nuno, a Ana, o Emílio e o João mais conhecido por Baubau. As cordadas para cada dia foram escolhidas à sorte, o que tem as suas vantagens... e desvantagens.
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Eu tive a sorte de calhar todos os dias na cordada de três. No primeiro dia fiquei eu, o Emílio e o Baubau, e a nossa intenção era escalar a famosa via do S. Mas o sol da Primavera ainda não tinha sido suficiente para secar as fissuras da via e tivemos de abortar a missão. Resultado: nesse dia, nem cume fizemos. No dia seguinte fiquei com a Ana e o Emílio. Desta vez eu e a "Speedy Gonzalez" Ana conseguimos "rebocar" o Emílio ao cume da Meadinha! Naquilo que foi um caso raro de cordada feminina a escalar fissuras em Portugal! No último dia, fiquei com o Nuno e o Baubau. Desta vez foi o lesionado do Nuno Pinheiro que tomou conta da situação, e depois de grande esforço conseguiu conduzir a mim e ao Baubau ao cume da Meadinha para podermos disfrutar das vistas e do local.
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Mais informações podem encontrar no blog Rocha Podre.
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Aqui ficam as fotos deste excelente fds em terras nortenhas.
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sexta-feira, setembro 11, 2009

Petit Clocher du Portalet

Esta foi sem dúvida a minha primeira verdadeira experiência na Montanha! Já sei que alguns vão achar estranho como é que escalando há tanto tempo (para mais de 10 anos…) esta é a primeira vez que escalo ao lado de um glaciar, mas nunca se é novo demais para isto :)
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O Petit Clocher du Portalet, no maciço do Monte Branco, é um monólito de granito que se exibe entre o glaciar Orny a norte e o Glaciar Saleina a sul. O seu formato piramidal e imponente faz qualquer um não ficar indiferente. Pela face norte são cerca de 300m em escalada vertical para se atingir o cume aos 2823 m de altitude. Existem cerca de 20 vias mistas abertas no monólito, sendo a clássica das clássicas a via Etat de Choc, com dificuldades até 7b. A qualidade da rocha e as fissuras são perfeitas, na face sul predomina uma escalada vertical e em placa com algumas fissuras e na face norte, as vias são extraprumadas proporcionando uma escalada difícil e atlética.
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Durante a estadia acabámos por nos ambientar na via Le chic, le chèque... le choc (C. Rémy, Y. Rémy, 1986, 7 largos, ED, 200 m., 6c, 6a obrigatório), no dia seguinte escalamos a clássica Etat de choc (C. Rémy, Y. Rémy, 1983, ED, 250 m, 7b), e no último dia a La fête des nerfs (L. Abbet, F. Roduit, 1983, ABO-, 180 m., 7b).
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Até hoje a única coisa que sabia sobre escalar em ambiente de montanha era colocar os friends e os entaladores. Felizmente sobre isso tinha alguns dados assimilados no meu cérebro. Mas a escalada aqui não se resume a isso… É necessário caminhar (e às vezes caminhar bastante…), atravessar glaciares, montes e vales para se chegar à base das paredes. O que é bom, porque além de gastarmos energia conseguimos fugir para locais mais selvagens e naturais. Muitas vezes escala-se com frio (ou até mesmo com muito frio), por isso a logística é outra, levar muita roupa mesmo que faça sol, porque na montanha nada é certo e a tempestade pode surgir num abrir e fechar de olhos. Depois é preciso comer bem e beber muita água. Chocolates (nham nham), barras e tudo o que “não” pesar! A respiração essa vai mais ofegante no meio do largo duro quando os braços já estão inchados. Não porque estejamos borrados de medo porque o único friend que cabia naquela fissura já foi gasto 10 metros abaixo, mas sim porque mesmo aqui a altitude já se sente e custa mais respirar! É preciso nunca esquecer do frontal (ou das pilhas, que são tão importantes como o frontal, em certos casos!) porque os rappeis é (quase) certo que serão feitos de noite. E se a lua não ajudar, a caminhada de regresso de calhau em calhau, e de rio em rio, é sempre mais apetitosa com a lanterninha na cabeça. E quando já é tarde, noite cerrada e as pernas e o corpo estão exaustos de tanta caminhada e tanta escalada à que cozinhar e comer qualquer coisa bem nutritiva, porque já se sabe… amanha há mais!
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A escalada essa é bastante interessante! Para mim escalar estas fissuras é um misto entre, agarrar laterais e regletes com os pés em aderência numa parede lisa com uma fissura do tamanho de uma mão, e entalar um pé aqui e uma mão ali com medo que quando o corpo se mova 20 cm o entalanço desapareça e lá vamos nós a voar… As tentativas para entalar as mãos e dedos e me entalar a mim própria ainda foram muitas, mas confesso que entre a pressa de escalar (para não passar pelo mesmo mas em versão às escuras) e a minha experiência, poucas foram as vezes em que senti aquela dor incomodativa na parte de cima da mão, o planta do pé esmagada e o joelho a contorcer-se todo para encontrar aquele equilíbrio entre uma massa corporal e as paredes de rocha! Ah! Mas não posso deixar de falar daquelas fissuras em que só a mão de um gigante lá cabe dentro e que têm a dimensão exacta da tua cabeça, sendo por isso o capacete um objecto absolutamente não recomendável se o objectivo for “entalarmo-nos” lá dentro!
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Foi sem dúvida uma excelente experiência num sítio fantástico. Deixo aqui algumas fotos da aventura, a caminhada para o refúgio, as paisagens, o local, as escaladas, o lago, o cansaço…, a noite e o Petit Clocher du Portalet!

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Nota: Cliquem no canto inferior esquerdo para ver as legendas

terça-feira, setembro 08, 2009

2009 Squamish Mountain Festival

Deixo aqui um link com um pequeno filme que a Arc'terix fez sobre o 2009 Squamish Mountain Festival. Se virem com atenção dá para ver eu e a Lauren Lee a escalar a "Frayed ends of insanity" no Squaw :)

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quarta-feira, setembro 02, 2009

Mais Squamish!

Estas são as últimas fotos de Squamish onde aparece um bocadinho de (quase) tudo!

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